Em silêncio
Está aqui um vazio que não conheço. Um vazio que não consigo ver ou sentir-lhe os limites... um vazio que me sussurra que não está aqui para me intimidar, mas para me fazer companhia.
Ha uma necessidade incontornável em cada um
de lidar com o seu silêncio.
Posso evitá-lo, por receio que esse desconhecido
me engula, sem espaço para contestação, sem tempo para reagir e concordar ou
objetar. Noutras alturas… temo o oposto. Temo apreciar o meu silêncio, temo
ter que interpretar essa realidade.
E vou temendo, como se isso adiantasse
alguma coisa, como se me protegesse de alguma coisa… nao protege. Nao é util:
o medo tem o poder que lhe damos e, sem isso, nao existe. Basta um instante de
distração para que o medo se dissipe.
No meio das conversas todas, do barulho de fundo... na confusao das coisas brilhantes e bonitas que achamos que queremos, que nos convencem (a ferros!) que precisamos delas... algures aí no meio, ha silêncio. Tem que haver! Tem que haver clareza... se nao a encontramos, se o ambiente é assim tao condicionante e enganador, que se afaste o ambiente... que se mude para paragens mais desafogadas, onde se ouvem pássaros e vento e as folhas que restolham. Onde cheira a Mar.
Onde temos a certeza de que o Sol brilha, mesmo que não espreite.
O resto, sao nuvens.
Esse silêncio que é um frio que se transforma em chama.
Um arrepio que surge e fica, que dura e aconchega.
Algo familiar naquele instante de vertigem, que me incita a ficar, sem resistir... e o receio, chega: ou agarro o que me quero (com unhas e dentes!), ou preservo a magia inalterada do que ja tenho. Do meu silêncio, que me escuda.
Esse silêncio que é um frio que se transforma em chama.
Um arrepio que surge e fica, que dura e aconchega.
Algo familiar naquele instante de vertigem, que me incita a ficar, sem resistir... e o receio, chega: ou agarro o que me quero (com unhas e dentes!), ou preservo a magia inalterada do que ja tenho. Do meu silêncio, que me escuda.
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