Fucking nightmare fuel
Há coisas que fazem a vida assemelhar -se demasiado a um jogo de computador, que se torna mais difícil ou só mais esquisito.
Há uns anos ultrapassei uma fobia. Não me perguntem como foi... Nao foi-me bonito e nunca o vão encontrar em nenhuma clínica simpática. Foi uma espiral descendente de dejetos emocionais e, algures ali pelo meio, o meu cérebro disse "amiga, lamento... Mas a energia que dispenso a imaginar todos os sítios onde uma aranha pode estar escondida, quantas estão num raio de 1m de ti, quais as várias maneiras diferentes pelas quais podes morrer por interagir com uma e a plêiade de hipotéticos híbridos de aranhas venenosas em Lisboa... É necessária para te manter fora de um sanatório ou da prisão, com o coração a bater".
De um momento para o outro, simplesmente, deixaram de me incomodar dentro do que é razoável. Foi o descobrir de toda uma nova vida! Já me sento no chão, não espreito a parte de baixo de todas as mesas de esplanada... Por outro lado, faço muito menos cardio a fugir de teias de aranha em que toque acidentalmente. Paciência. Descobri também que consigo lidar com o medo de outra maneira.
Montes de coisas que culminaram para alimentar o meu Ego.
Vai daí que subi de nível, e a Vida fez questão de acompanhar... Com o advento da vespa asiática.
Porquê? ... Eh pá, PARA QUÊ, C**@**O!!! As outras já impunham respeito! As outras já eram pequena ***@s com ASAS e FERRÃO ETERNO!
Sabem como é que eu sei que Deus é um homem? É a cena do tamanho!
Deus: vou inventar um bicho infernal com asas... Sei lá, uma maldição que pique com a fúria de uma praga divina... É que, sinto que gritam pouco o Meu nome.
Arcanjo:... Mas, Deus... Já inventaste a vespa...
Deus: sim, mas vamos fazer uma MAIOR.
Bom... Andava eu toda contente, airosamente a escapar-me ao contacto com estes seres, que até ao momento, eram confortavelmente teóricos. Há semanas, enganada por uma amiga que chama "abelha" a tudo o que voa, cheguei a apanhar e matar um destes colossos. Por sorte, não pensei muito antes de lhe enfiar um frasco em cima e a encarcerar. Por azar, deixei de poder ignorar a sua existência.
Ontem, entrou uma no escritório.
Eu vou repetir: ONTEM ENTROU UMA... NO ESCRITÓRIO... ONDE EU TRABALHO... TODOS. OS. DIAS!
Chato: não é meu - não posso incendiar aquilo
Mais chato: estava sozinha.
Aquilo entrou pela janela semiaberta enquanto fui ao WC e pousou estrategicamente... Onde? NA MINHA JANELA! Entre mim e TODAS AS MINHAS COISAS!
Corajosamente (os meus colegas questionam) passei por aquela m**** alada (enquanto ela fazia a digestão do bezerro que matou e comeu... Com as próprias patas... À frente da própria mãe... Certamente), e agarrei num frasco para a apanhar como fiz à outra.
Desta vez, tive tempo de perceber do que se tratava e decidi que sou demasiado jovem para morrer: corajosamente, atirei com tudo para dentro da mala e voltei a passar para o lado da porta, quando o castigo neurotóxico do Antigo Testamento se enfiou atrás das persianas. Salvei a internet de um castigo pior que a morte, saí e tranquei a porta.
Hoje, fui lá deixar a net para o chefe a ir buscar... Lá estava ela, no meu parapeito, orgulhosa filha de seu pai - o helicóptero - e sua mãe - o pesadelo -, natural de um qualquer círculo do Inferno de Dante (que ainda não conhecemos).
...Palavra de honra que me pareceu maior.
A minha esperança residia no exemplar do sexo masculino que lá ia buscar a net: pai, habituado certamente a agir sobre bichezas destas... Casado, conhecedor da fina arte de não fazer uma mulher admitir que está aterrorizada para além do que é fofinho e se aproxima, rápida e seriamente, do pânico paranóico que põe a elegância em risco... E o único com alguma legitimidade para pegar fogo ao espaço.
Depois de algumas horas de silêncio, desde a minha mensagem sobre ter lá deixado a net (em que repeti várias vezes na minha cabeça "não aconteceu nada! Ele deve correr depressa... Ia avisado... Não aconteceu nada! Não vou encontra-lo caído e inanimado na segunda... Nem vou ter que deixar crescer o bigode e ser um pai para aquelas crianças... Não... Não aconteceu nada...!"), perguntei:
"Viste o bicho?".
Instantes depois: mensagem. " Não o vi"
Senhoras e senhores, quando vos perguntarem como é que eu comecei a trabalhar a partir de casa... Foi assim.
Há uns anos ultrapassei uma fobia. Não me perguntem como foi... Nao foi-me bonito e nunca o vão encontrar em nenhuma clínica simpática. Foi uma espiral descendente de dejetos emocionais e, algures ali pelo meio, o meu cérebro disse "amiga, lamento... Mas a energia que dispenso a imaginar todos os sítios onde uma aranha pode estar escondida, quantas estão num raio de 1m de ti, quais as várias maneiras diferentes pelas quais podes morrer por interagir com uma e a plêiade de hipotéticos híbridos de aranhas venenosas em Lisboa... É necessária para te manter fora de um sanatório ou da prisão, com o coração a bater".
De um momento para o outro, simplesmente, deixaram de me incomodar dentro do que é razoável. Foi o descobrir de toda uma nova vida! Já me sento no chão, não espreito a parte de baixo de todas as mesas de esplanada... Por outro lado, faço muito menos cardio a fugir de teias de aranha em que toque acidentalmente. Paciência. Descobri também que consigo lidar com o medo de outra maneira.
Montes de coisas que culminaram para alimentar o meu Ego.
Vai daí que subi de nível, e a Vida fez questão de acompanhar... Com o advento da vespa asiática.
Porquê? ... Eh pá, PARA QUÊ, C**@**O!!! As outras já impunham respeito! As outras já eram pequena ***@s com ASAS e FERRÃO ETERNO!
Sabem como é que eu sei que Deus é um homem? É a cena do tamanho!
Deus: vou inventar um bicho infernal com asas... Sei lá, uma maldição que pique com a fúria de uma praga divina... É que, sinto que gritam pouco o Meu nome.
Arcanjo:... Mas, Deus... Já inventaste a vespa...
Deus: sim, mas vamos fazer uma MAIOR.
Bom... Andava eu toda contente, airosamente a escapar-me ao contacto com estes seres, que até ao momento, eram confortavelmente teóricos. Há semanas, enganada por uma amiga que chama "abelha" a tudo o que voa, cheguei a apanhar e matar um destes colossos. Por sorte, não pensei muito antes de lhe enfiar um frasco em cima e a encarcerar. Por azar, deixei de poder ignorar a sua existência.
Ontem, entrou uma no escritório.
Eu vou repetir: ONTEM ENTROU UMA... NO ESCRITÓRIO... ONDE EU TRABALHO... TODOS. OS. DIAS!
Chato: não é meu - não posso incendiar aquilo
Mais chato: estava sozinha.
Aquilo entrou pela janela semiaberta enquanto fui ao WC e pousou estrategicamente... Onde? NA MINHA JANELA! Entre mim e TODAS AS MINHAS COISAS!
Corajosamente (os meus colegas questionam) passei por aquela m**** alada (enquanto ela fazia a digestão do bezerro que matou e comeu... Com as próprias patas... À frente da própria mãe... Certamente), e agarrei num frasco para a apanhar como fiz à outra.
Desta vez, tive tempo de perceber do que se tratava e decidi que sou demasiado jovem para morrer: corajosamente, atirei com tudo para dentro da mala e voltei a passar para o lado da porta, quando o castigo neurotóxico do Antigo Testamento se enfiou atrás das persianas. Salvei a internet de um castigo pior que a morte, saí e tranquei a porta.
Hoje, fui lá deixar a net para o chefe a ir buscar... Lá estava ela, no meu parapeito, orgulhosa filha de seu pai - o helicóptero - e sua mãe - o pesadelo -, natural de um qualquer círculo do Inferno de Dante (que ainda não conhecemos).
Já não há moscas no escritório... Nem alegria... Ou esperança...
PORQUE A VESPA OS COMEU!
...Palavra de honra que me pareceu maior.
A minha esperança residia no exemplar do sexo masculino que lá ia buscar a net: pai, habituado certamente a agir sobre bichezas destas... Casado, conhecedor da fina arte de não fazer uma mulher admitir que está aterrorizada para além do que é fofinho e se aproxima, rápida e seriamente, do pânico paranóico que põe a elegância em risco... E o único com alguma legitimidade para pegar fogo ao espaço.
Depois de algumas horas de silêncio, desde a minha mensagem sobre ter lá deixado a net (em que repeti várias vezes na minha cabeça "não aconteceu nada! Ele deve correr depressa... Ia avisado... Não aconteceu nada! Não vou encontra-lo caído e inanimado na segunda... Nem vou ter que deixar crescer o bigode e ser um pai para aquelas crianças... Não... Não aconteceu nada...!"), perguntei:
"Viste o bicho?".
Instantes depois: mensagem. " Não o vi"
Senhoras e senhores, quando vos perguntarem como é que eu comecei a trabalhar a partir de casa... Foi assim.

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