Hoje bebi café com plasticina
Como é viver com uma criança que não consegue comunicar verbalmente tudo o que quer?
Ui!
Entre outras coisas, é o abandono do Ego. É o crescimento pessoal a uma velocidade que rivaliza com a da luz - Bom, não rivaliza. Não é bem isto... É mais a prova de que a teoria quântica, que uma partícula pode estar em dois locais distintos em simultâneo, até ao momento em que a luz incide sobre ela. Porquê? Eu juro que ele estava na ponta oposta da sala, e no entanto... ...Acabei de beber café com plasticina.
Ando a experimentar uma coisa nova, chamada "respira fundo, mãe!". É uma técnica super-inteligente e Mega reputada e altamente eficaz...
Dizem-me. Até agora, ainda só me sinto zonza com a hiperventilação.
Por outro lado, isto bem comercializado e ainda vendo um programa de aulas de grupo ao Holmes, chamado Power Breathe e fica tudo com uns brônquios "Top" (porquê limitar a hipertrofia? A beleza vem de dentro, senhores!)
Bom, o puto! O puto gosta de atenção, venha ela como vier. Se a mãe não lhe dá atenção ele provoca até a conseguir... Só tem que me afetar o suficiente para eu reagir.
Mas, há momentos...
Há momentos em que - para além de jantares e fogões e facas e condução e passear cães e pendurar ou passar roupa e chegar a horas a médicos e empregos - uma mãe precisa de não estar "de serviço". (Escandalizem-se lá todos, vá... Eu espero)
Partindo de dois princípios simples a) somos bons naquilo que treinamos e b) comportamento é comunicação, decidi mudar a abordagem ao puto mais pequeno. Somos bons naquilo que treinamos: logo, se quero que ele exiba paciência, ele tem que treinar paciência. Se quero que ele exiba concentração, ele tem que treinar concentração. Se quero que ele exiba controlo sobre as suas emoções, ele tem que treinar controlar as suas emoções... Simples!
A este projecto seguir-se-á a minha resolução da questão da fusão a frio e deve dar menos trabalho.
Para tornar as coisas mais divertidas, há a realização de que nada (NADA!) disto se ensina sem o experienciar... Pela " mão" dos educadores!
E não se perder num loop de atualizações de feeds de redes sociais...
Ou não cuspir todos os insultos, juízos de valor e opiniões possíveis, sobre a falta de consideração dos meros mortais que com ele coexistem, e que se atrevem a não validar a sua noção de importância?
Analisando isto de forma fria, a larga maioria dos miúdos até se sai surpreendentemente bem, tendo em conta os exemplos...
Adiante! Hoje!
Hoje tinha um "trabalho de casa" e uma recompensa para o puto pequeno: tinha que identificar 7 palavras durante 10min e a seguir brincávamos com plasticina.
As palavras eram secundárias: o objetivo era manter-se concentrado durante 10min.
Não o limitei fisicamente, não havia música ou televisão, não havia irmão, pai, cães nem mais nada que ele pudesse provocar e, com isso, dispersar a minha atenção. Começou o dilema dele! "Quero a atenção da minha mãe e tenho... Mas não tenho a atenção da minha mãe naquilo que quero". O puto pequeno está habituado a que, quando ele não quer lidar com alguma coisa e faz uma birra, o adulto acaba com a situação para acabar com a birra...: Os meus pais estão a falar e não me dão atenção: eu puxo o cabelo ao meu irmão e um deles vem ter comigo e fala comigo e só comigo. Eu vou ao supermercado, estou cansado e sobre estimulado e peço uma coisa que normalmente me traz alegria e/ou faz sentir especial (um brinquedo ou uma guloseima), porque preciso que o sentimento que tenho desapareça. Os meus pais negam. Eu atiro com o que agarro para o meio do chão e um deles fala comigo e só comigo e tira-me dali ou dá-me alguma coisa que provoca uma resposta emocional agradável.
Em ambas as situações, a criança obteve o que queria... Mas não aprendeu nenhuma alternativa ao comportamento habitual gerador de ansiedade.
Hoje, para me fazer deixá-lo em paz, " ameaçou" a integridade física do meu cavalo de porcelana. Em vez do "TU NÃO TE ATREVAS!" ou do mais controlado "Isso é da mamã e não se mexe", que não deixam de ser claras declarações de " Tens toda a atenção da Mãe", mudei o foco da minha atenção: fingi atender o telefone - mantive tom e conversa enquanto voltei a por o cavalo no sítio e, sem estabelecer contacto visual com o puto, voltei para a mesa e fingi concentrar-me no telemóvel. De um momento para o outro e por causa de um comportamento incendiário dele, perdeu o que queria: a minha atenção...e não gostou. Fez o que seria de esperar
Agarrou numa garrafa e ameaçou deitar água para dentro do aquário (francamente, vindo da criança que tem uma apólice RC e danos próprios… Fiquei desapontada!). Deitar água para dentro de um aquário tem zero importância (REGRA N1: escolham as vossas batalhas!), pelo que, no fucks were given e eu fiquei na minha…
A seguir, tentou vencer-me pelo barulho: uma vez que eu estava ao telefone, se ele gritasse e torturasse sem piedade a garrafa de plástico, podia ser que eu o mandasse calar e ele ganhava... Esperto!... Mas não resultou: eu virei as costas e tapei um ouvido. "E agora? A minha mãe deixou de ter reacções giras de pânico quando eu mexo onde não devo e não está a impedir-me de fazer nada… E ainda não acabou com o meu sofrimento de não estar a fazer o que EU quero... A mãe não está a ser previsível e não me deixa manipular a atenção dela"
Mas ele acabou de se sentar à mesa e está a olhar para as palavras. Acabou o telemóvel…
"Obrigada, filhote, por teres vindo brincar comigo. Só mais uns minutos e vamos brincar com a plasticina: só temos que acabar as palavras". Precisei de quase 20min para ter 7 de concentração… ...mas, ontem, foram só dois minutos e uma hora de jantar que não se pode descrever sem vários palavrões.
Ui!
Entre outras coisas, é o abandono do Ego. É o crescimento pessoal a uma velocidade que rivaliza com a da luz - Bom, não rivaliza. Não é bem isto... É mais a prova de que a teoria quântica, que uma partícula pode estar em dois locais distintos em simultâneo, até ao momento em que a luz incide sobre ela. Porquê? Eu juro que ele estava na ponta oposta da sala, e no entanto... ...Acabei de beber café com plasticina.
Ando a experimentar uma coisa nova, chamada "respira fundo, mãe!". É uma técnica super-inteligente e Mega reputada e altamente eficaz...
Dizem-me. Até agora, ainda só me sinto zonza com a hiperventilação.
Por outro lado, isto bem comercializado e ainda vendo um programa de aulas de grupo ao Holmes, chamado Power Breathe e fica tudo com uns brônquios "Top" (porquê limitar a hipertrofia? A beleza vem de dentro, senhores!)
Bom, o puto! O puto gosta de atenção, venha ela como vier. Se a mãe não lhe dá atenção ele provoca até a conseguir... Só tem que me afetar o suficiente para eu reagir.
Antes que alguns cérebrozinhos primitivos avancem, eu adianto-me: SIM, eu sei que ele merece e precisa da minha atenção...
Obrigada, Capitão Óbvio!
Mas, há momentos...
Há momentos em que - para além de jantares e fogões e facas e condução e passear cães e pendurar ou passar roupa e chegar a horas a médicos e empregos - uma mãe precisa de não estar "de serviço". (Escandalizem-se lá todos, vá... Eu espero)
Partindo de dois princípios simples a) somos bons naquilo que treinamos e b) comportamento é comunicação, decidi mudar a abordagem ao puto mais pequeno. Somos bons naquilo que treinamos: logo, se quero que ele exiba paciência, ele tem que treinar paciência. Se quero que ele exiba concentração, ele tem que treinar concentração. Se quero que ele exiba controlo sobre as suas emoções, ele tem que treinar controlar as suas emoções... Simples!
A este projecto seguir-se-á a minha resolução da questão da fusão a frio e deve dar menos trabalho.
Para tornar as coisas mais divertidas, há a realização de que nada (NADA!) disto se ensina sem o experienciar... Pela " mão" dos educadores!
Fiiiixeeeee...
Que adulto não adora esperar...E não se perder num loop de atualizações de feeds de redes sociais...
Ou não cuspir todos os insultos, juízos de valor e opiniões possíveis, sobre a falta de consideração dos meros mortais que com ele coexistem, e que se atrevem a não validar a sua noção de importância?
Analisando isto de forma fria, a larga maioria dos miúdos até se sai surpreendentemente bem, tendo em conta os exemplos...
Adiante! Hoje!
Hoje tinha um "trabalho de casa" e uma recompensa para o puto pequeno: tinha que identificar 7 palavras durante 10min e a seguir brincávamos com plasticina.
As palavras eram secundárias: o objetivo era manter-se concentrado durante 10min.
Podia correr,
saltar,
mudar de cadeira...
O que quisesse!
Mas tinha que se manter NAQUELA tarefa e na mesma divisão.
Não o limitei fisicamente, não havia música ou televisão, não havia irmão, pai, cães nem mais nada que ele pudesse provocar e, com isso, dispersar a minha atenção. Começou o dilema dele! "Quero a atenção da minha mãe e tenho... Mas não tenho a atenção da minha mãe naquilo que quero". O puto pequeno está habituado a que, quando ele não quer lidar com alguma coisa e faz uma birra, o adulto acaba com a situação para acabar com a birra...: Os meus pais estão a falar e não me dão atenção: eu puxo o cabelo ao meu irmão e um deles vem ter comigo e fala comigo e só comigo. Eu vou ao supermercado, estou cansado e sobre estimulado e peço uma coisa que normalmente me traz alegria e/ou faz sentir especial (um brinquedo ou uma guloseima), porque preciso que o sentimento que tenho desapareça. Os meus pais negam. Eu atiro com o que agarro para o meio do chão e um deles fala comigo e só comigo e tira-me dali ou dá-me alguma coisa que provoca uma resposta emocional agradável.
Em ambas as situações, a criança obteve o que queria... Mas não aprendeu nenhuma alternativa ao comportamento habitual gerador de ansiedade.
Hoje, para me fazer deixá-lo em paz, " ameaçou" a integridade física do meu cavalo de porcelana. Em vez do "TU NÃO TE ATREVAS!" ou do mais controlado "Isso é da mamã e não se mexe", que não deixam de ser claras declarações de " Tens toda a atenção da Mãe", mudei o foco da minha atenção: fingi atender o telefone - mantive tom e conversa enquanto voltei a por o cavalo no sítio e, sem estabelecer contacto visual com o puto, voltei para a mesa e fingi concentrar-me no telemóvel. De um momento para o outro e por causa de um comportamento incendiário dele, perdeu o que queria: a minha atenção...e não gostou. Fez o que seria de esperar
- e não! Não se veio sentar ao meu lado, sossegadinho e atento: escalou o comportamento de provocação. -
A seguir, tentou vencer-me pelo barulho: uma vez que eu estava ao telefone, se ele gritasse e torturasse sem piedade a garrafa de plástico, podia ser que eu o mandasse calar e ele ganhava... Esperto!... Mas não resultou: eu virei as costas e tapei um ouvido. "E agora? A minha mãe deixou de ter reacções giras de pânico quando eu mexo onde não devo e não está a impedir-me de fazer nada… E ainda não acabou com o meu sofrimento de não estar a fazer o que EU quero... A mãe não está a ser previsível e não me deixa manipular a atenção dela"
Mãe 1; Puto 0!
(...a mãe está tonta, prestes a desmaiar de tanto oxigénio que lhe está a chegar ao cérebro, a mãe já disse duas Avé Marias por ainda ter cavalo de porcelana e precisa de um cigarro)
Mas ele acabou de se sentar à mesa e está a olhar para as palavras. Acabou o telemóvel…
"Obrigada, filhote, por teres vindo brincar comigo. Só mais uns minutos e vamos brincar com a plasticina: só temos que acabar as palavras". Precisei de quase 20min para ter 7 de concentração… ...mas, ontem, foram só dois minutos e uma hora de jantar que não se pode descrever sem vários palavrões.
Hoje ganhamos todos.
Eu bebi café com plasticina à mesma...
E soube a vitória!
Comentários
Enviar um comentário