creio que a senilidade vai ser uma suave transição, para mim

Este fim-de-semana fui "Aquela Mãe".

Senti-me "Aquela Mãe" e devo ter recebido olhares coincidentes, apenas não dei por eles.
Cena: festa de aniversário da filha da melhor amiga. Eu e dois índios selvagens, overdose de brinquedagem, trampolins, insufláveis, disfarces... o equivalente material de coca para crianças, basicamente. Vá lá, que esta amiga teve a coragem de não servir as porcarias típicas de aniversário... não queria ter conhecido a versão sugar-rush desta festa!

Bom... quando se tem filhos com um intervalo "meigo", pensamos "só tenho que me concentrar no mais novo"... pois. Não! Quando o mais velho anda armado em pré-adolescente‎, anti-establishment.. não! Vá lá que, depois de um mortal à retaguarda que ele NÃO SABE fazer, e duas aterragens mal conseguidas, de uma superficie fofa para uma pouca-menos-que-dura-que-nem-cornos... lá acalmou. 
(se bem me recordo a pergunta feita à criança, foi "numa escala de dor, que vai de *vou voltar para o insuflável‎* a *se sairmos agora, chego ao hospital antes de me cair o braço*, onde estamos?"... riu-se e voltou para o insuflável)
Já o mais novo... o mais novo esteve no epicentro de todos os choros de outras crianças. O mais novo achou que nada podia ser melhor que deitar-se no meio do trampolim, com criancas com mais de 20kgs, aos saltos. O mais novo, ao deparar-se com uma cancela que impedia o acesso a escadas íngremes, tentou trepá-la.
Numa sala cheia de gente conhecida, onde havia sempre alguém a olhar para ele, não estive parada durante duas horas e meia. Em determinado ponto de cansaço, comecei a dimensionar intervenções: agia em caso de choro, ataques ao bolo de aniversário, probabilidade de quedas sérias... de resto, admito, fingi que não vi. Fingi que não vi quando ele comeu gelatina do chão... fingi quando ele pediu a outro adulto ajuda para descascar uma banana, deu uma dentada e bazou... fingi que não vi quando perdeu um croquete na piscina de bolas... ‎enfim!
Foi nessa altura que aquele GRANDESSÍSSIMO FILHO D...de um pequeno pónei (que eu amo muito <3), subiu a fasquia. Na ausência de gritos, respirei fundo e olhei nos olhos a pobre da Mafalda, com quem estava a tentar falar, ha mais de 15min... "Iris..." ouço uma voz meiga -treinada por gravidezes múltiplas -, "...o teu filho deu-me a fralda. Acho que quer ir a casa-de-banho". Entrei na sala a tempo de o ver, tentar correr com as calças à volta dos tornozelos, com um sorriso inigualável de "deixa-cá-aproveitar-esta-aragem-na-pilinha-antes-que-ela-chegue"... saiu-me um "DJIZAS, Alexandre.. OUTRA VEZ?!". 

Este fim-de-semana fui "aquela Mãe"... fui aquela mãe no meio de gente que sabe o que é a minha realidade, gente que compreende. Nao só porque me conhecem, mas porque sabem que o Mom-shaming nao serve de nada.
Eu SOU "aquela Mãe" montes de vezes e em montes de sítios... Pior! Eu sou "aquela Mãe" sem me sentir mal com isso: sei que para cada interpretação alheia, a minha realidade não me permite ser avaliada pelos especialistas em "educação dos filhos dos outros‎".

Mães! Revoltem-se! Deixem-nos enfiar uma palmada no puto que lhes puxou o cabelo, deixem-nos cavar nos vasos...! Relaxem! Ignorem os olhares parvos e os "ai, se fosses meu filho".

(E de vez em quando, subam vocês para um insuflavel..!)‎

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